segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

#1 Folheado de Hoje



#Jóias de nome: Antonio Bernardo




Usar ouro como adorno já foi sinônimo de riqueza e ostentação. Antigamente, o que contava era o peso, a fartura e o tamanho das pedras. Reis e rainhas lançavam mão de peças belíssimas, verdadeiras obras de arte que reluziam na forma de coroas, colares, brincos, anéis e braceletes. Quanto mais, melhor e mais poderoso. Hoje, a realidade é bem diferente e, digamos, mais acessível e sofisticada. Todo o processo de confeccionar uma jóia valoriza, atualmente, muito mais a forma do que o conteúdo. Ou seja, o design de uma peça, independente do quanto ela vale em termos de matéria-prima, pode ser o item mais precioso no momento da escolha. Em suma, é a emoção, muito mais do que o peso, o que desperta o desejo de cada um(a). “O que faz sentido é que a jóia fale sobre quem a está usando. Da sua personalidade, do seu jeito de ser e daquilo que acredita”, aposta Antonio Bernardo, um dos maiores designers brasileiros, vencedor de vários prêmios de design. Dono de nove lojas, espalhadas pelo Rio, São Paulo, Brasília e Miami, ele é um mestre na arte de emocionar com seus desenhos leves, simples e geniais. “Minhas criações não têm a ver com tendência, estilo, nem com moda”, afirma.


Nem com ostentação. Ao contrário, o trabalho de Antonio Bernardo é feito sob medida para despertar prazer para quem usa e, para isso, ele lança mão de idéias simples, mas impactantes. Que causam surpresa e encantamento. “Na verdade, o que acontece atualmente é que novas tecnologias permitem novas formas, mecanismos e sistemas. Por outro lado, o comportamento das pessoas e o mundo das artes sugerem novas direções e novos olhares. Esse conjunto faz a criação se renovar”, diz ele, que assume estar sempre aberto a experiências. “No fundo, a criação para mim é um processo que se desenvolve a partir dele mesmo. Parece que todas as jóias assinadas por mim são uma decorrência da primeira peça que fiz. Quando ela ficou pronta, pensei: ‘talvez possa modificar aqui e ali’ e, quando vi, já tinha surgido uma outra coleção”, conta. Mas algumas questões se repetem, segundo ele: o trabalho com fios e fitas, o comportamento e o humor. “Mas me fascina ver que a joalheria, um ofício com mais de sete mil anos, ainda traz novas descobertas”, admite.

Conheça mais Antonio Bernado

História das jóias

Falar sobre as origens da jóia é falar da própria origem do ser humano. O estudo da ornamentação humana é um instrumento para reconstruir a própria história do homem, através de seus costumes, suas tradições, crenças, dos seus conhecimentos técnológicos e dos seus gostos estéticos.

O homem sempre procurou criar objetos para atender às suas necessidades e sempre buscou acrescentar a eles outras qualidades que independiam da simples utilidade e que visavam atender a uma necessidade de harmonia e beleza. Por isso, é que se diz que toda forma de arte é uma expressão intimamente relacionada ao espírito humano.

No Paleolítico, a representação pictórica perseguia um efeito mais mágico que estético, o objetivo era encenação do acontecimento. A arte era uma técnica mágica da caça.
No Neolítico, estabelecem-se as bases técnicas, socioeconomicas e religiosas daquilo que conhecemos como época histórica. As jóias constituem um testemunho deste período de tempo marcado pela evolução e pelas mudanças permanentes.

O ouro exerce atração sobre o homem desde a época da descoberta dos metais. Os egípcios usaram-no, tanto na fabricação de objetos rituais como na douração de sarcófagos e no adorno do mobiliário dos faraós.

Na Antiguidade e na Idade Média, as minas de ouro e prata eram escassas e muitos escultores e pintores famosos, principalmente na Renascença, iniciaram seu aprendizado artístico nas oficinas de ourives.




Colar de ouro Bizantino Com o impacto da Revolução Industrial sobre a sociedade européia ( Segunda metade do séc. XIX ) surgiram idéias como as de John Ruskin e de William Morris, que denunciavam a máquina e a divisão do trabalho como fatores que impediriam uma relação autêntica entre o operário e o produto resultante de seu trabalho.

Art Nouveau, Modern Style, Modernismo, Jugendstil,Sezession e Liberty constituem diferentes expressões de uma mudança que se estendeu por toda Europa.


Com a abertura, em 1895, da galeria Maison de l'Art Nouveausão expostos objetos desenhados neste estilo, com uma grande influência da arte oriental. Na exposição de 1900, René Laliquetransforma Paris na capital da joalheria.
Como exemplo de um dos maiores joalheiros do final do séc. XIX, podemos citar Fabergé, um francês criador de peças fabulosas, para a corte imperial da Russia.
A partir de 1925, a Art Decó transformou-se no segundo grande movimento internacional das artes industriais. Elaborou-se jóiasque davam importancia ao valor dos materiais, mas também, se produziu jóias industrializadas que utilizavam novos materiais sintetizados pela indústria: galatite, baquelite, níquel,alumínio... que pretendiam imitar as jóias preciosas. 


O pregador em forma de libélula, de René Lalique



Broche em prata, malaquite, opala e coral. Joseph Hoffmann, 1903-1905 Com a Segunda Guerra Mundial interrompeu-se um processo que só seria retornado em meados dos anos 50.

A jóia como arte começou a ser dedenvolvida nos anos 50.
Com o desenvolvimento industrial e economico dos anos 60 inicia-se uma redefinição da funcão social da jóia. Neste contexto, e sob a influência de algumas das ideias de William Morris, sobre o valor do ofício e do artesanato, assim como da Bauhaus, sobre a integração do design na indústria,surgiu o que se chama de joalheria de arte ou design de jóias.




Broche de Anton Cepka, 1991



Broche de Bruno Martinazzi, 1972


Referências:
Codina, Carles. A Joalharia. Editorial Estampa: Espanha 1999.








Wicks, Sylvia. Jewellery Making Manual. Seacaucus, NJ, Chartwell, 1985.