Usar ouro como adorno já foi sinônimo de riqueza e ostentação. Antigamente, o que contava era o peso, a fartura e o tamanho das pedras. Reis e rainhas lançavam mão de peças belíssimas, verdadeiras obras de arte que reluziam na forma de coroas, colares, brincos, anéis e braceletes. Quanto mais, melhor e mais poderoso. Hoje, a realidade é bem diferente e, digamos, mais acessível e sofisticada. Todo o processo de confeccionar uma jóia valoriza, atualmente, muito mais a forma do que o conteúdo. Ou seja, o design de uma peça, independente do quanto ela vale em termos de matéria-prima, pode ser o item mais precioso no momento da escolha. Em suma, é a emoção, muito mais do que o peso, o que desperta o desejo de cada um(a). “O que faz sentido é que a jóia fale sobre quem a está usando. Da sua personalidade, do seu jeito de ser e daquilo que acredita”, aposta Antonio Bernardo, um dos maiores designers brasileiros, vencedor de vários prêmios de design. Dono de nove lojas, espalhadas pelo Rio, São Paulo, Brasília e Miami, ele é um mestre na arte de emocionar com seus desenhos leves, simples e geniais. “Minhas criações não têm a ver com tendência, estilo, nem com moda”, afirma.
Nem com ostentação. Ao contrário, o trabalho de Antonio Bernardo é feito sob medida para despertar prazer para quem usa e, para isso, ele lança mão de idéias simples, mas impactantes. Que causam surpresa e encantamento. “Na verdade, o que acontece atualmente é que novas tecnologias permitem novas formas, mecanismos e sistemas. Por outro lado, o comportamento das pessoas e o mundo das artes sugerem novas direções e novos olhares. Esse conjunto faz a criação se renovar”, diz ele, que assume estar sempre aberto a experiências. “No fundo, a criação para mim é um processo que se desenvolve a partir dele mesmo. Parece que todas as jóias assinadas por mim são uma decorrência da primeira peça que fiz. Quando ela ficou pronta, pensei: ‘talvez possa modificar aqui e ali’ e, quando vi, já tinha surgido uma outra coleção”, conta. Mas algumas questões se repetem, segundo ele: o trabalho com fios e fitas, o comportamento e o humor. “Mas me fascina ver que a joalheria, um ofício com mais de sete mil anos, ainda traz novas descobertas”, admite.
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